Jornada Scania
[ Mobilidade ] -- 08/05/2026
[ Texto: 528 - Comunicação com Propósito / Fotos: Scania ]

Biometano no transporte urbano: quando a transição energética sai do papel

Como o biometano entrou na operação do BRT de Goiânia e por que esse combustível se tornou peça-chave da transição energética no transporte coletivo. Executivos da Scania e do Consórcio BRT explicam
A chegada dos primeiros ônibus articulados movidos a gás e/ou biometano ao sistema BRT de Goiânia marcou um passo importante na modernização do transporte coletivo brasileiro. Mais do que a entrega de novos veículos, o projeto traz consigo uma estratégia ampla, que combina tecnologia, sustentabilidade e planejamento de longo prazo.
Por aqui, contamos há alguns dias como esses ônibus começaram a rodar. Agora, é hora de avançar um pouco mais e entender as decisões por trás dessa escolha, os desafios da operação e o papel do biometano na transição energética do transporte público.
Para isso, a Jornada Scania ouviu Maurício Lucena, gerente de Vendas de Soluções de Mobilidade da Scania Operações Comerciais no Brasil, e Laercio Ávila, diretor do Consórcio BRT. Na entrevista a seguir, eles explicam por que Goiânia já pode ser considerada uma referência de frota verde para o transporte urbano no País. Confira:
O biometano oferece tempo de abastecimento mais curto, maior disponibilidade operacional e complementa a frota elétrica, trazendo mais robustez tecnológica ao sistema.”
Laercio Ávila, diretor do Consórcio BRT
Qual é a principal novidade tecnológica dos ônibus entregues em Goiânia? Essa tecnologia já existia em veículos não articulados?
Maurício Lucena | Scania:
Em termos de inovação, esses são os primeiros veículos urbanos comercializados no Brasil com a tecnologia do biometano. E, ao mesmo tempo, são os primeiros articulados com essa aplicação. Ou seja, juntamos duas novidades importantes: os primeiros articulados de mobilidade urbana já com a nova geração de chassis a gás e biometano da Scania, na motorização K 340. Nós já tínhamos um veículo padrão 4x2, da geração anterior, que era um veículo de demonstração e chegou a ser utilizado, inclusive, pela equipe do Consórcio BRT em uma operação piloto a gás na cidade. Mas ali falávamos de uma família de motores anterior, usada apenas para demonstração. Agora, trata-se da primeira comercialização dessa nova tecnologia para uma operação urbana no País.
O que significa para Goiânia ser a pioneira ao colocar esses ônibus em operação?
Laercio Ávila | Consórcio BRT:
O que está acontecendo em Goiânia não é simplesmente a substituição da frota. É uma estruturação profunda de todo o sistema de transporte coletivo. Goiânia faz parte de um sistema metropolitano com 21 municípios e mais de 2,5 milhões de habitantes, sendo o principal sistema metropolitano do Brasil. Essa transformação da Nova Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC) acontece em vários aspectos: infraestrutura de terminais e estações, revisão tarifária, revisão contratual. Tudo começou na pandemia, quando ficou claro que a iniciativa privada — aqui representada pelos operadores — precisava se unir ao poder público para não apenas sobreviver, mas construir um sistema que entregasse mais valor à população. Nesse contexto, a frota tem um papel fundamental. Recebemos a diretriz de renovar os veículos, mas não com uma frota tradicional. A orientação foi clara: uma frota verde. Esse é um dos grandes eixos de transformação da RMTC.
Por que apostar na diversificação energética e não apenas em ônibus elétricos, como acontece em outras capitais e cidades no Brasil?
Laercio Ávila | Consórcio BRT:
A primeira frota verde de Goiânia foi elétrica. A cidade já opera com diversos veículos com essa tecnologia, inclusive com o maior biarticulado elétrico do mundo, entregue no início de 2026 e já em operação. Todos os veículos do sistema são Euro 6 e contam com ar-condicionado. À medida que o sistema evoluiu, o Governo do Estado e os operadores compreenderam que a diversificação energética traria mais robustez e sustentabilidade, tanto do ponto de vista ambiental quanto operacional. Entram aí os veículos elétricos e, agora, os veículos a biometano. Essas tecnologias passam a operar juntas nos corredores BRT — o Leste-Oeste e o Norte-Sul — que são os eixos estruturantes da RMTC, com linhas de alta capacidade, estações de piso alto e integração com todos os terminais da região metropolitana.
Qual é o papel do biometano dentro dessa frota verde?
Laercio Ávila | Consórcio BRT
O veículo a biometano é uma peça-chave dessa arquitetura. Os elétricos ainda têm limitações de autonomia. Estamos falando de uma operação extensa, que conecta 21 municípios, com longos trechos e alta demanda. Esse projeto foi desenvolvido sob medida para a RMTC. Em parceria com Scania, Marcopolo e Hexagon, homologamos cilindros de alta tecnologia para garantir uma autonomia de cerca de 400 quilômetros. Isso assegura o cumprimento do planejamento operacional, algo que uma frota 100% elétrica, sozinha, ainda não conseguiria atender. O biometano oferece tempo de abastecimento mais curto, maior disponibilidade operacional e complementa a frota elétrica, trazendo mais robustez tecnológica ao sistema.
Como funciona o abastecimento e quais foram os principais desafios?
Laercio Ávila | Consórcio BRT
Para operar, precisamos garantir o fornecimento do biometano. O Brasil já produz biometano, mas, no início, rodamos um piloto trazendo combustível de outros estados — o que não era o cenário ideal. Por isso, o Consórcio BRT lançou uma chamada pública para aquisição de biometano, com um requisito claro: a produção precisava estar em um raio máximo de 40 quilômetros do ponto de abastecimento. O custo do gás em si não é elevado; o grande desafio é a logística, que pode inviabilizar economicamente a operação. O fornecedor contratado está desenvolvendo uma usina em Guapó, a cerca de 35 quilômetros do ponto de abastecimento. Paralelamente, firmamos parceria com a GoiásGás para a implantação do primeiro gasoduto do estado, ligando a usina ao terminal Novo Mundo, onde ficará o bioposto do sistema. Enquanto a usina não entra em operação, o abastecimento será feito por transporte rodoviário, inclusive com caminhões movidos a biometano.
Qual é o impacto esperado na redução de emissões?
Laercio Ávila | Consórcio BRT
Nossa meta é reduzir em até 95% as emissões de material particulado, poluentes e o uso de combustível fóssil até o final de 2027.
Essa tecnologia da Scania é desenvolvida no Brasil? Já é usada em outros países?
Maurício Lucena | Scania:
Até pouco tempo atrás, a Scania importava esses motores da Europa. Desde 2024, passamos a produzir localmente no Brasil. O grande diferencial é que o motor foi desenvolvido 100% para rodar com gás — seja gás natural ou biometano — sem necessidade de adaptação ou conversão. Essa tecnologia já roda em outros países. Na Suécia, por exemplo, a frota urbana opera 100% a gás. Na Colômbia, há sistemas BRT movidos a gás. Agora, Goiânia se torna o primeiro grande case brasileiro de expansão de uma frota urbana sustentável não fóssil com biometano. Além dos veículos, o projeto envolve produção local de combustível, geração de empregos, renda e uma cadeia completa de abastecimento para o transporte coletivo, com menos ruído e menos emissões para a população.
Quais são os principais desafios para outras cidades adotarem essa tecnologia?
Maurício Lucena | Scania:
Existem desafios internos de operadores e órgãos gestores, porque essa decisão interfere em toda a matriz energética do sistema. Durante muito tempo, a autonomia foi uma barreira, já que os cilindros tradicionais são mais pesados. Em Goiânia, superamos isso com o desenvolvimento de cilindros de carbono, mais leves, que permitem maior número de cilindros e mais autonomia. Esse projeto ajuda a quebrar paradigmas e mostrar a viabilidade do biometano na prática. Depois desse avanço, outras cidades que estavam reticentes voltaram a nos procurar para entender melhor os aspectos operacionais, como autonomia, consumo e desempenho do veículo.
O biometano é um caminho relevante para acelerar a descarbonização do transporte?
Maurício Lucena | Scania:
Não existe uma única solução. O Euro 6, o elétrico e o biometano caminham juntos, lado a lado. O biometano pode reduzir em até 90% as emissões de CO2 e material particulado e faz parte dessa transição energética, como já está acontecendo em Goiânia.
Laercio Ávila | Consórcio BRT:
O biometano exige cerca de 60% da infraestrutura necessária para o elétrico. Mas, mais do que a tecnologia, o grande diferencial de Goiânia foi o alinhamento entre o poder público e a iniciativa privada. Aqui, os operadores foram propositivos, apresentaram soluções, e o poder público acolheu e aprimorou os projetos. Acredito que esse alinhamento é a chave para viabilizar iniciativas como essa.
Essa tecnologia da Scania é desenvolvida no Brasil? Já é usada em outros países?
Maurício Lucena | Scania:
Até pouco tempo atrás, a Scania importava esses motores da Europa. Desde 2024, passamos a produzir localmente no Brasil. O grande diferencial é que o motor foi desenvolvido 100% para rodar com gás — seja gás natural ou biometano — sem necessidade de adaptação ou conversão. Essa tecnologia já roda em outros países. Na Suécia, por exemplo, a frota urbana opera 100% a gás. Na Colômbia, há sistemas BRT movidos a gás. Agora, Goiânia se torna o primeiro grande case brasileiro de expansão de uma frota urbana sustentável não fóssil com biometano. Além dos veículos, o projeto envolve produção local de combustível, geração de empregos, renda e uma cadeia completa de abastecimento para o transporte coletivo, com menos ruído e menos emissões para a população.
Quais são os principais desafios para outras cidades adotarem essa tecnologia?
Maurício Lucena | Scania:
Existem desafios internos de operadores e órgãos gestores, porque essa decisão interfere em toda a matriz energética do sistema. Durante muito tempo, a autonomia foi uma barreira, já que os cilindros tradicionais são mais pesados. Em Goiânia, superamos isso com o desenvolvimento de cilindros de carbono, mais leves, que permitem maior número de cilindros e mais autonomia. Esse projeto ajuda a quebrar paradigmas e mostrar a viabilidade do biometano na prática. Depois desse avanço, outras cidades que estavam reticentes voltaram a nos procurar para entender melhor os aspectos operacionais, como autonomia, consumo e desempenho do veículo.
O biometano é um caminho relevante para acelerar a descarbonização do transporte?
Maurício Lucena | Scania:
Não existe uma única solução. O Euro 6, o elétrico e o biometano caminham juntos, lado a lado. O biometano pode reduzir em até 90% as emissões de CO2 e material particulado e faz parte dessa transição energética, como já está acontecendo em Goiânia.
Laercio Ávila | Consórcio BRT:
O biometano exige cerca de 60% da infraestrutura necessária para o elétrico. Mas, mais do que a tecnologia, o grande diferencial de Goiânia foi o alinhamento entre o poder público e a iniciativa privada. Aqui, os operadores foram propositivos, apresentaram soluções, e o poder público acolheu e aprimorou os projetos. Acredito que esse alinhamento é a chave para viabilizar iniciativas como essa.
Esse projeto ajuda a quebrar paradigmas e mostrar a viabilidade do biometano na prática.”
Maurício Lucena, gerente de Vendas de Soluções de Mobilidade da Scania Operações Comerciais no Brasil
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