Há histórias que cabem em números. Mas esta não é uma delas. Ela começou há 40 anos, quando o pai de Luiz Guilherme Almeida Cardoso comprou seu primeiro ônibus. Por coincidência — ou talvez não —, foi também o ano em que Guilherme nasceu. Quatro décadas depois, o filho ajuda a dar continuidade ao caminho iniciado pelo pai e se prepara para receber dois novos veículos que representam muito mais do que uma renovação de frota.
“Tem 40 anos que meu pai deu início à empresa, que é a minha idade. Ele trabalhava antigamente em uma empresa local, muito conhecida e, quando eu nasci, ele teve seu primeiro ônibus. Então, depois de 40 anos, a gente está realizando um sonho, não só nosso, mas também do meu pai”, conta o empresário.
Para Guilherme e Ivanieri Ferreira de Souza, esposa e sócia na Turismo Prime, essa história foi construída com trabalho, decisões difíceis e coragem para seguir em frente quando os números pareciam apontar para o caminho contrário.
“A história foi sendo escrita. E, sem falar que nós atravessamos muitos problemas pessoais e não desistimos do negócio. Quando os créditos deram certo, quando tudo foi dando certo, nada quebrou o sonho”, pontua Ivanieri.
Agora, esse sonho ganha um novo capítulo: a Turismo Prime compra, pela primeira vez, ônibus Scania zero quilômetro. Até aqui, a empresa construiu sua operação com ônibus usados e mais antigos, mas que ajudaram a consolidar uma relação baseada também em resultados.
Segundo Guilherme, dependendo do modelo e da carroceria, a diferença em relação a outros veículos pode chegar a aproximadamente um quilômetro por litro. “Hoje, o nosso operacional mais caro é o combustível. Então, quanto mais combustível você economizar, mais lucro você vai ter na sua operação. Por isso que a gente escolhe a Scania. A média de consumo é a melhor que tem no mercado”, explica.
A frota atual reúne os modelos K 380, K 400 e K 440. Agora, o K 500 chega para ampliar esse conjunto. “É um carro mais novo e a expectativa é ter um bom retorno. A média de combustível dele é enorme”, aposta o empresário.
Outro fator pesou na decisão: o valor de revenda. “Quando você fala que é a Scania, o mercado é mais aberto. O valor de revenda também é maior. Na teoria, a depreciação é absurda. Mas, na prática, quando a gente vai efetivar a venda, a gente consegue praticamente faturar em cima de uma revenda às vezes. Ele sempre consegue gerar valor”, conta Guilherme.
Para ele, a escolha pela marca passa por um conjunto de atributos construídos ao longo do tempo. “Eu tirei como critério a credibilidade de mercado. Falou que é Scania, é o tempo, o conceito, a experiência, a economia, a durabilidade. A manutenção é mais fácil de encontrar, mecânicos também especializados na área. Então tudo isso pesa em ser apaixonado por Scania. Porque a nossa frota é toda Scania”, revela.
O legado continua
A história da Turismo Prime carrega muita emoção, desafios e escolhas que mudaram os rumos do negócio. Quando o pai de Guilherme decidiu deixar a empresa, o casal enxergou uma oportunidade de continuar uma trajetória que já tinha raízes profundas no transporte. Ivanieri assumiu a gestão administrativa, enquanto Guilherme permaneceu próximo da operação.
“Ele que é o sonhador com o carro, ele que desenha tudo isso na cabeça dele. Eu sou da área administrativa e ele é da área operacional. Então, ele sonhava e eu acreditava e via muitas possibilidades. Mas ele era como o pai dele, muito tradicional, muito pé no chão. Eu era a sonhadora que, se não puxasse o freio, tudo a gente podia fazer. Mas deu certo”, orgulha-se Ivanieri.
Uma das decisões mais importantes foi buscar a regularização da linha rodoviária em que a empresa já atuava. Para isso, precisaram fazer um investimento que exigiu praticamente tudo o que tinham. “Nós decidimos marcar uma reunião com o pessoal que fazia todo esse processo para poder regularizar a nossa linha. E aí nós demos tudo o que nós tínhamos: gato, cachorro, papagaio, galinha e carro. Andamos a pé por um bom período e investimos tudo para conseguir essa concessão”, lembra a empresária.
A concessão saiu. Mas, quando chegou o momento de renovar a frota, os números voltaram a assustar. “Quando a gente começou a encarar os números, fugia da nossa realidade. Então começamos a ficar com medo de investir. Até que nós decidimos: está com medo, vai com medo mesmo. Vamos fazer isso acontecer”, conta.
E fizeram. Tanto que para Guilherme, a compra tem ainda um significado que vai além do negócio, já que desde criança, ele acompanhava o pai nas decisões relacionadas aos ônibus. “Quando meu pai decidia comprar um ônibus, era a mesma coisa de dar um carrinho de presente para mim, porque eu me envolvia muito quando ele queria comprar um ônibus”, lembra.
Agora, é ele quem vive esse momento. E os novos veículos também terão identidade própria, como já acontece com os outros ônibus da empresa. “Comecei a fazer cores diferentes, colocar um detalhe, um tom diferente. Temos um veículo com a pintura do grifo da Scania, outro dedicado ao autismo. Agora, a gente está colocando temas, buscando significados da região, temas até como Tribo de Judá. A gente está alinhando muito os nossos temas aos nossos valores, que é um dos princípios mais importantes dentro da nossa empresa”, sinaliza Ivanieri.
Um dos novos veículos será uma homenagem aos 40 anos da empresa. O outro será inspirado na arca de Noé, ideia que, para Ivanieri, representa a fé que acompanhou a família ao longo dessa trajetória. “Quando surgiu o desejo de comprar um ônibus novo, eu já comecei a pensar: o que a gente iria representar? Como seria? Logo pensei em uma arca. Porque acho que, dentro da ousadia que a gente teve de assumir todos os riscos, houve algo que é a fé. A fé de saber que vai dar certo”, afirma.
Uma escolha que também é feita de pessoas
Os novos ônibus chegam para uma operação que conecta cidades do Norte de Minas Gerais a destinos como São Paulo, em viagens que podem ultrapassar 1.200 quilômetros. Em períodos mais estáveis, a Turismo Prime transporta cerca de 240 a 250 passageiros por semana. Nas épocas de maior movimento, como férias e fim de ano, esse número pode chegar a 2.500 ou 3 mil passageiros por mês.
“É uma região muito carente. A maioria das pessoas escolhe São Paulo para trabalho. Tem muitos familiares que vêm visitar, assim como outras demandas, como cuidados de saúde. A gente atende todo esse público”, destaca Ivanieri.
Por isso, para a família, renovar a frota também é uma forma de cuidar de quem está do outro lado. “Os nossos clientes merecem. A gente sabe que a nossa missão é servir as pessoas. E o nosso propósito é fazer as pessoas entenderem que elas podem viajar com mais conforto, com mais segurança. Que elas podem continuar acreditando na gente, porque nós não desistimos delas”, ressalta a empresária.
Essa preocupação também aparece na relação construída com a Scania. Ivanieri conta que a experiência começou ainda na concessionária, em Montes Claros, e ganhou força durante o processo de compra dos novos veículos.
“Eu acho que a nossa experiência com a Scania foi muito extraordinária. A preocupação e a atenção foram muito grandes. O primeiro dia em que nós estivemos na Lat.Bus, o Guilherme foi recebido por três pessoas da Scania, e cada uma estava em um nível hierárquico diferente. Então ele chegou a quem iria realmente conseguir atender a ansiedade dele. O cuidado foi muito grande”, conta.
A empresária Ivanieri Ferreira de Souza conferindo as novidades da Scania no estande da marca durante a Lat.Bus 2026
Para ela, esse cuidado resume uma parte importante da relação com a marca:
“Eu acho que nós nos encontramos pelo valor que é muito forte. Esse cuidado, a gente sabe que não é em qualquer lugar. Sentimos o tratamento de gente para gente”, destaca.
É uma frase que ganha ainda mais significado quando se olha para a trajetória da família. Para uma empresa construída de forma tão próxima das pessoas, ser tratado dessa maneira também faz parte do valor de uma parceria.
Dois que podem virar quatro
A chegada dos dois K 500, portanto, não representa um ponto de partida. A Turismo Prime já pensa no próximo passo. “Daqui a dois anos teremos o próximo lote. Como nós nascemos no tempo da multiplicação, a gente acredita que dois vezes dois se torna quatro”, revela Ivanieri.
E dessa vez, a expectativa será para ampliar a operação. “Vai ser para ampliação”, completa Guilherme. “Vai ser crescimento contínuo.”
Depois de 40 anos, a história que começou com o primeiro ônibus do pai de Guilherme continua sendo escrita por uma nova geração. Com novos veículos, novos projetos e a mesma paixão que acompanha a família há quatro décadas. “Tem hora que dá vontade até de parar. Só que está no sangue mexer no transporte, mexer com ônibus. Então, além de tudo, é um trabalho que eu faço com prazer”, comenta Guilherme.
E talvez seja justamente isso que explique por que, depois de tantos desafios, a história da Turismo Prime continua em movimento.